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A Sociedade Musical Recreativa, Instrutiva e Beneficente Santanense consegue envolver, em todas as suas actividades, mais de duas centenas de santanenses e de pessoas de freguesias vizinhas. Questionada sobre qual o segredo para tão alta adesão, a presidente da colectividade, Fernanda Oliveira, garante que a população de Santana “tem um gosto particular pela música e pela banda”. Mas, se em termos da participação da população a Sociedade constitui excepção, o mesmo já não sucede quando se trata de reunir esforços para a constituição de uma direcção.
“Ultimamente, têm–se verificado grandes dificuldades em conseguir encontrar pessoas com disponibilidade para esta tarefa”, confirma Fernanda Oliveira. A esta situação não será alheio o facto da colectividade “exigir muita disponibilidade e muito trabalho, que nem sempre é reconhecido”.
Fundada por causa da música, esta mantém, 111 anos após a sua criação, a forma artística que “comanda” os destinos da colectividade.
No que respeita à sede, a direcção considera que o edifício tem boas condições, uma vez que ali foram recentemente executadas obras que puseram fim aos problemas de infiltração na sala de reuniões e que afectavam ainda o balcão e parte do salão de festas. Há, ainda assim, necessidade de mais espaço, sobretudo para a escola de música, jáque as aulas estão a ser ministradas nos camarins ou nos anexos, que estão a ser alvo, refira–se, de alguns melhoramentos.
A direcção entende, no entanto, que para se conseguir dotar a escola de música de boas condições, será indispensável adquirir o terreno que se situa nas traseiras dos anexos. Os proprietários não manifestam, contudo, segundo Fernanda Oliveira, interesse em vender aquele espaço.
Ainda sobre a escola de música, a presidente salienta a existência de carências em termos de instrumentos e, em seu entender, a situação só não é ainda mais grave, porque alguns dos executantes utilizam os seus instrumentos pessoais.
Depois da criação de um Coro Infantil, que se apresentou, pela primeira vez, no passado dia 2 de Janeiro, a direcção pretende iniciar o arranjo do chão de toda a sede, trabalho orçado em cerca de cinco mil euros. A Sociedade Filarmónica Santanenses é uma das poucas colectividades nacionais do género que tem um museu, onde se pode perceber toda a sua evolução ao longo dos tempos. Inaugurado em Janeiro de 2001, é possível descobrir ali os rostos que fundaram e deram vida à Santanense nos 111 anos que tem de vida, através de partituras, instrumentos musicais, manuscritos, fardamentos e outros objectos que fazem parte da história da colectividade.
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Fundada no dia 1 de Setembro de 1894, a Sociedade Musical Recreativa, Instrutiva e Beneficente Santanense foi inicialmente dirigida por Joaquim Gomes Carqueijeiro, que hipotecou os seus bens para concretizar o sonho de criá–la.
Segundo o livro de Francisco Manuel Relva Pereira, publicado em 2000, a Santanense, tal como outras colectividades da altura, proporcionou a educação básica das crianças da freguesia. Os exemplares da biblioteca de então encontram–se hoje no museu da colectividade.
O autor recorda que a instituição teve “anos dourados” com o folclore, mas foi a música que sempre ocupou lugar de destaque na sua actividade. A banda tem actuado em vários locais do país e da Europa e, em colaboração com o INATEL, tem organizado, desde 1987, vários dias das filarmónicas da Figueira da Foz.
A Sociedade possui a medalha de bronze e medalha de prata de reconhecimento de mérito e de homenagem da Federação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Recreio e a medalha de prata da cidade, atribuída pela Câmara Municipal da Figueira da Foz.