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A direcção da AMUFM traçou como prioridade imediata estrear o novo fardamento da banda, ainda durante este ano. Para o efeito espera contar com o apoio financeiro da Câmara da Figueira e da Junta de Maiorca. As novas fardas custam cerca de 14 mil euros. Paralelamente, investe nas obras da antiga sede, bem como na renovação dos instrumentos.
Com as obras de recuperação daquela que foi a primeira sede da associação, os ensaios da banda e da escola de música é aí que decorrem. Caso raro no universo associativo, a Filarmónica Maiorquense não precisa de ir ao banco para realizar obras. É por isso que a direcção encara o futuro com “optimismo”.
Mas não há bela sem senão. A AUMFM depara–se, contudo, com um problema, que aliás se vem acentuando nos últimos tempos - a falta de pares no seu rancho, que ostenta o nome de Rancho Folclórico de Maiorca e que foi fundado em 1964. Segundo a direcção da colectividade, foi o primeiro rancho a ser formado na freguesia. E naquela altura o problema era encontrar lugar para todos os candidatos a dançarinos.
O Rancho do Maio e o Rancho Folclórico, saliente-se, são uma imagem de marca desta associação de Maiorca. O Rancho sai no 1.º de Maio, e nos dois domingosseguintes. No último domingo é que são as merendas. A tradição ainda se mantém, em território da freguesia de Maiorca.
O rancho é exclusivamente formado para aquela actuação e para a dos dois domingos seguintes. Os elementos femininos vestem–se com blusa e saia branca e chinelas pretas, e carregam na cabeça um pote de barro com areia, decorado com flores, e exibem no pescoço vistosos cordões e medalhas de ouro.
Os elementos do sexooposto, por seu turno, apresentam–se mais discretos. Destacam –se o chapéu preto e a camisa branca. Foi com base nesta formação que nasceu o Rancho Folclórico de Maiorca, com oito pares efectivos. As suas actuações deixaram saudades pela Europa fora e em África.
A União Filarmónica Maiorquense também é reconhecida pelo seu grupo de teatro, sem data de fundação disponível nos arquivos da colectividade. Não tem um calendário definido de espectáculos. Contudo, marca presença nas Jornadas de Teatro Amador do Lions Club da Figueira da Foz. Ao longo do ano, representa pontualmente em Maiorca e outras localidades limítrofes.
Numa outra área de acção, a escola de música, coordenada pelo maestro da banda e com o apoio de quatro monitores, tem 14 alunos. É ali que se forma a maioria dos músicos da filarmónica.
Mas a força da juventude tem particular expressão no seio da colectividade através do Núcleo Jovem, presidido por João Mateus. Tem como finalidade lançar pontes entre as gerações que constituem a AMUFM. Goza de um estatuto que lhe confere uma certa autonomia.
Entre outras actividades, tem a seu cargo a organização da “Semana Gastronómica” e torneios desportivos.
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Segundo rezam os arquivos, a Associação Musical União Filarmónica Maiorquense (AMUFM) é a segunda banda mais antiga do concelho da Figueira da Foz. E fora de portas encontra–se entre as primeiras formações do país. Registada oficialmente há 157 anos como Filarmónica Maiorquense, só mudaria para a actual designação a 24 de Dezembro de 1931. Na mesma data em que regista os seus estatutos, que sofreram a sua mais recente alteração no dia 27 de Dezembro de 2002.
AAMUFM é dos mais importantes ícones culturais da freguesia. Motivo de orgulho de várias gerações de maiorquenses, foi “escola” de centenas de músicos e homens, e, sobretudo, de cidadãos. Os seus estatutos originais eram, aliás, um autêntico manual de cidadania, segundo os padrões que ditavam os bons costumes da época. Continham mais deveres que direitos, é certo, mas educavam para a vida.
Como era apanágio de outros tempos, nos tempos em que a Filarmónica Maiorquense era cabeça-de–cartaz de festas, arraiais, procissões e romarias, os homens queriam –se com bigode. E as mulheres ficavam a ver a banda tocar, já que não lhes era permitida a entrada para o grupo. Quem diria, na altura, que o sexo feminino iria marcar forte presença na maioria das filarmónicas do país...