Associação Filarmónica de Arganil
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A primeira Filarmónica apareceu em Arganil no ano de 1853. Logo no ano seguinte apareceu outra. Com maiores ou menores dificuldades, umas vezes paradas mas logo a seguir reorganizadas, as duas bandas conseguiram chegar à primeira década do século XX. No entanto, os últimos anos da existência de ambas, foram marcados por tamanha rivalidade que alastrando à própria população de Arganil se tornou mesmo insuportável. Daí, que homens de bom senso, tudo fizeram para que a fusão das duas filarmónicas numa só fosse conseguida. Muito terá ajudado o advento da República em 1910. O certo é que tão bem trabalharam essas pessoas, que a fusão acabou por se concretizar em 1911. Arganil ganhava então uma belíssima Filarmónica e punha fim a um clima de sobressaltos e até de ódios. Desde essa data até 1936, viveu a Filarmónica Arganilense, assim designada, um período de relativa calma, até porque à sua volta se juntaram enormes boas vontades, que algumas iniciativas tomaram em prol da sua nova Filarmónica. e assim, logo no ano seguinte em 1912 era a Filarmónica dotada de um fardamento novo e de um coreto na Fonte de Amandos onde pudesse actuar em condições condignas.

Mas em 1936, entra a Filarmónica então sediada na Casa dos Paços, cedida pela Igreja, em grande crise financeira e directiva. Com o instrumental e fardamento em adiantado estado de degradação e com muitas dívidas nas casas dos fornecedores. Mais um movimento se gerou no sentido de salvar a Filarmónica e a solução encontrada foi a sua integração na Casa do Povo, instituição esta recentemente criada, cuja missão também era apoiar a cultura. As demarches para esta integração não foram fáceis, dadas as exigências quer do Presidente deste organismo, Dr. Baltazar de Carvalho Alberto, quer do Director do Instituto Nacional do Trabalho, que exigiu escritura pública e doação de todo o património da Filarmónica. Por fim, graças aos esforços do Sr. Antero Gonçalves de Almeida e com o entusiasmo do grande músico arganilense, Guilherme Marques Coelho, acabou por se dar a integração em 17 de Março de 1937, bastando que fosse nomeada pela Direcção da Casa do Povo, uma Comissão de apoio à Filarmónica com estatutos próprios, que curiosamente acabam por conter uma alínea que diz "no caso da Sociedade Filarmónica Arganilense se dissolver, os seus bens serão entregues à Câmara Municipal do Concelho, com o dever de os conservar e entregá-los a uma nova Sociedade com o mesmo objectivo". Assim a Filarmónica ficou integrada na Casa do Povo, sendo todavia, dona do seu próprio património. Assumiu a presidência da Comissão Directiva, embora sob tutela da Casa do Povo, o Sr. Antero Gonçalves de Almeida.

Já após o 25 de abril de 1974, o então Presidente da Câmara, Sr. Carlos Ribeiro, tentou dar à Filarmónica o estatuto de independência, mas tudo o que conseguiu junto da Direcção da Casa do Povo, foi que esta passasse a nomear o Presidente por períodos de dois anos, e este por sua vez, nomearia o elenco directivo junto dos sócios da Filarmónica. Não era a solução ideal, mas já era um passo em frente para a sua autonomia. Foi primeiro presidente nesta situação o arganilense, Fernando Manuel da Costa Coelho. Foi nesta direcção que a Filarmónica gravou o seu primeiro suporte musical, uma cassete. Seguiu-se na presidência o sarzedense José Carvalho Rodrigues. A Filarmónica ia assim continuando em grande actividade. Foi a vez de assumir a presidência o Dr. Pedro Camossa, saudoso e bom amigo, mas devido ao seu estado de doença, viria a assumir a presidência <<in extremis» o arganilense, José Moreira Castanheira, na altura secretário da Direcção, que apoiado pelo tesoureiro Alberto Figueiredo, adoptaram como lema do seu mandato «aproximar a Filarmónica dos seus arganilenses». Eram dois "jovens" sonhadores que fizeram nos quatro anos do mandato o que sonharam. Um fardamento novo, o primeiro encontro com actuações em uníssono das cinco Bandas do Concelho, o casamento de dois jovens músicos no seio da Filarmónica, a visita a Arganil com actuações no Mont 'Alto de duas das melhores bandas da Região Centro e muito mais. Passou então a Filarmónica a ser uma das Bandas mais solicitadas pelo INATEL de Coimbra, após um memorável concerto no Pavilhão Norton de Matos. Por solicitação do INATEL, integrou o grupo de oito bandas, que num total de 360 músicos actuando em uníssono no Jardim da Sereia em Coimbra, deixaram a assistência «atónita e maravilhada». Páginas bonitas na história da Filarmónica Arganilense!

Seguiu-se a presidência do arganilense, Alberto da Cruz Almeida. Foi o mandato da coragem, pois foi na sua presidência que se consegui romper definitivamente com o vínculo à Casa do Povo. Constituiu-se a Associação Filarmónica de Arganil com escritura pública em cartório e estatutos aprovados em Diário da Republica em 07 de Julho de 1992. Pode dizer-se que começou uma nova era para a Filarmónica de Arganil. Passou a ser interlocutora directa da Secretaria de Estado da Cultura e do INATEL, com atribuição directa de subsídios, que outrora eram da tutela da então Casa do Povo. Foi também neste mandato, que foi constituída a Federação de Filarmónicas do Distrito de Coimbra. da qual a Filarmónica Arganilense é sócia fundadora com parte muito activa na elaboração dos estatutos da Federação.

Seguiu-se a presidência do arganilense Prof. António Lopes Nogueira, que bem pode dizer-se, que foi a época áurea da Filarmónica Arganilense. Começando pela primeira internacionalização da Filarmónica com a sua ida a Espanha a convite do Município de Arganil, abrilhantar as cerimónias de Geminação da Vila de Arganil com Torres de Cotíllas, onde foi estrear um fardamento novo, que depois de angariado, acabou por ser inteiramente oferecido pelo grande amigo da Filarmónica, Sr. Carlos Andrade, que ficou maravilhado com a brilhante actuação no concerto realizado no auditório daquela vila espanhola.

Em 1997 nova internacionalização, desta vez em Martigny (Suíça), onde a Filarmónica Arganilense em representação de Portugal, Beira Litoral e Arganil, participou na 34ª edição das Europeades, com actuações nas cidades de Martigny e Sion.

Em 1998, foi a vez de na mesma condição, esta Filarmónica participar na 35ª edição da Europeades em Rennes (França), com actuação também na fortaleza do Monte Sant Michel. Ainda neste ano, a Filarmónica actuou com desfile e concerto na EXPO 98 em Lisboa.

Em 2001, renovou todo o seu instrumental no valor de vários milhares de contos, tendo para isso contado, e mais uma vez, com o apoio das Autarquias, Instituições, Industriais, Comerciantes e Arganilenses.

Ainda em 2001, voltou de novo à 38ª edição das Europeadas, desta vez em Zamora (Espanha) com brilhantíssima actuação no Estádio Municipal de Zamora a quando o encerramento dos festejos.

Em 6 de Março de 2002, foi pelo então primeiro Ministro Eng. António Guterres, declarada Instituição de Utilidade Publica, e em 11 de Julho de 2002, admitida como sócio honorário do Inatel. Ainda em 2002, esteve de novo na 39ª edição das Europeades em Antuérpia (Bélgica), onde foi alvo de grande simpatia por parte do Comité organizador, tendo-lhe sido dada a honra de encerrar o desfile final, e cumprimentada publicamente à chegada à Praça Municipal pelo Presidente do Comité, Sr. Bruno Peteers que gritou bem alto para a numerosa assistência: "- Arreganilo Porrtugalo!!". Momentos inesquecíveis que muito honram a Filarmónica e Arganil.

É protagonista de alguns momentos que abrilhantaram esta história nos últimos vinte anos, o seu dedicado regente Fernando da Silva Martins, que muito tem vincado a sua participação pelo empenho e dedicação com que tem ensinado e regido os executantes desta Instituição.

Não pretende esta resenha fazer a história real da Filarmónica Arganilense, pois esta é muito mais rica e como está intimamente ligada à própria história de Arganil dos últimos 150 anos, seria pois assunto para historiadores ou especialistas. No entanto, o que se pretende será apenas mostrar que em todos os momentos que esta Instituição esteve em crise, logo os Arganilenses se congregaram no sentido de a reerguer. Esta por sua vez, em jeito de agradecimento, e sempre que activa, nunca perdeu a oportunidade de honrar Arganil com as suas actuações.

Que Arganil nunca deixe perder este Património !!

Desde o início do presente ano de 2003 assumiu as funções de presidência desta Instituição, a arganilense de coração e moçambicana de nascimento, Cristina Figueiredo, de quem pela sua juventude, generosidade e entusiasmo pelas coisas da terra, e até mesmo pelo seu rigor e perfeccionismo, muitas esperanças deixa na continuidade desta Filarmónica.



Por Alberto Figueiredo

Maio de 2003

Visitante nº 23270

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